Dr. Alysson R. Muotri, Ph.D.
Professor — Pediatria & Medicina Celular e Molecular
UC San Diego School of Medicine · Sanford Stem Cell Institute · La Jolla, Califórnia
Um pesquisador dedicado às doenças raras do cérebro
O Dr. Muotri lidera um dos laboratórios mais avançados do mundo na criação de organoides cerebrais — modelos do cérebro humano desenvolvidos a partir das próprias células dos pacientes. Sua missão há mais de quinze anos: dar esperança às famílias afetadas por doenças raras para as quais ainda não existe tratamento.
"Às vezes há apenas um punhado de laboratórios trabalhando em uma doença rara — quando há algum. Gosto de dar esperança a esses pacientes, de mostrar a eles que há pessoas que querem estudar sua condição, que eles não estão sozinhos."
Ao transformar células de pele de pacientes em mini-cérebros funcionais em laboratório, sua equipe consegue estudar diretamente doenças que não se reproduzem fielmente em modelos animais — e testar estratégias terapêuticas em tecido humano real.
Essa abordagem já contribuiu para o primeiro tratamento aprovado pela FDA para a síndrome de Rett, e levou ao primeiro ensaio clínico de terapia gênica para a síndrome de Pitt-Hopkins, lançado em 2026. Para o PKS, essa pesquisa ainda está por ser construída — e é exatamente isso que o Project PKS quer financiar.
Doenças raras estudadas pelo Muotri Lab
Esses resultados concretos — do organoide ao ensaio clínico — ilustram a capacidade do laboratório de transformar a pesquisa fundamental em esperança real para os pacientes.
O trabalho do laboratório com organoides de Rett contribuiu para o desenvolvimento do Daybue (trofinetida) — primeiro tratamento aprovado pela FDA para essa síndrome. Um segundo ensaio clínico, baseado em antivirais testados em organoides, está atualmente em andamento.
Em organoides de pacientes, o laboratório demonstrou que uma terapia gênica corrigia as alterações neuronais. A FDA aprovou o ensaio clínico lançado pela Mahzi Therapeutics em 2026 — primeira terapia gênica desenvolvida a partir de organoides a entrar em ensaio clínico para uma doença rara.
O laboratório estudou em organoides corticais as disfunções neuronais ligadas às mutações do gene CDKL5, contribuindo para a identificação de alvos terapêuticos para essa síndrome rara associada a epilepsia grave de início precoce.
Organoides criados a partir de células de crianças autistas revelaram que a gravidade dos sintomas está ligada a uma superprodução neuronal desde o estágio embrionário — organoides superativos produzindo neurônios em excesso e mal conectados. Uma descoberta que abre caminho para biomarcadores precoces e alvos terapêuticos.
Em 2016, o laboratório forneceu a primeira prova experimental direta de que o vírus Zika causa microcefalia — publicada na Nature. O laboratório foi além: medicamentos antivirais foram testados diretamente nos organoides infectados e demonstraram proteção contra danos neurológicos. Da prova de causalidade ao teste de tratamento — no mesmo modelo.
A síndrome de Williams é causada por uma deleção cromossômica rara (7q11.23) que leva a distúrbios cognitivos e neurológicos específicos. O Muotri Lab criou um modelo celular dedicado, permitindo pela primeira vez o estudo das bases moleculares e celulares dessa anomalia diretamente em tecido humano.
A síndrome 8p é uma anomalia cromossômica rara sem tratamento. O Muotri Lab criou organoides cerebrais a partir das células de pacientes e identificou alterações neuronais específicas — invisíveis de outra forma — diretamente nos mini-cérebros. Uma anomalia cromossômica complexa, modelada, analisada, e pistas biológicas concretas emergindo.
Os organoides enviados à ISS sofrem envelhecimento celular acelerado, reproduzindo mecanismos até então inacessíveis em laboratório. O Muotri Lab aproveita esse fenômeno para modelar o Alzheimer e testar tratamentos em organoides com sinais de neurodegeneração — uma abordagem inédita em escala mundial.
Nenhuma pesquisa com organoides existe ainda para o PKS — em nenhuma parte do mundo. A partir das células de Giulia e de outras duas crianças afetadas, o laboratório criará mini-cérebros portando a anomalia cromossômica real. Objetivo: compreender os mecanismos biológicos do PKS e testar medicamentos e moléculas capazes de corrigir as alterações observadas. Este é o primeiro passo rumo a um tratamento.
🎯 Por que o Muotri Lab é particularmente adequado para o PKS
A síndrome de Pallister-Killian é uma anomalia cromossômica em mosaico — apenas certas células são afetadas. Esse é exatamente o perfil que os organoides conseguem reproduzir fielmente: desenvolvidos a partir das próprias células do paciente, eles preservam a anomalia real e permitem observar seu impacto no desenvolvimento neuronal. Nenhum modelo animal consegue reproduzir isso de forma fidedigna.
A trajetória do laboratório está agora estabelecida — da pesquisa fundamental com organoides ao ensaio clínico real. Esse é o caminho que o Project PKS quer abrir para as crianças com síndrome de Pallister-Killian.
Trajetória científica
- SALK INSTITUTE · 2002–2007Pós-doutorado no laboratório de Fred Gage (Salk Institute, La Jolla). Duas publicações marcantes em 2005: demonstra que neurônios humanos derivados de células-tronco se integram funcionalmente em um cérebro quimérico (PNAS, 2005) — e revela que o cérebro é composto por um mosaico de genomas neuronais causado por "genes saltadores" (L1) (Nature, 2005), derrubando um dogma fundamental da biologia.
- UC SAN DIEGO · 2008Ingressa na Escola de Medicina como professor. Torna-se diretor do programa de células-tronco do Sanford Stem Cell Institute e diretor do centro ISSCOR (Integrated Space Stem Cell Orbital Research).
- 2010 — PRIMEIRO MODELO HUMANO DE DOENÇA NEUROLÓGICACria o primeiro modelo humano de distúrbio do neurodesenvolvimento a partir de células-tronco de pacientes — e demonstra pela primeira vez que alterações neuronais graves podem ser revertidas em laboratório. Esses métodos são hoje utilizados por milhares de laboratórios em todo o mundo.
- 2016 — VÍRUS ZIKAPrimeira prova experimental direta de que o vírus Zika causa microcefalia — publicada na Nature. Demonstração feita em organoides cerebrais humanos. O laboratório foi além, testando medicamentos antivirais diretamente nesses organoides.
- 2019–2024 — ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONALPrimeiro pesquisador a enviar organoides cerebrais humanos ao espaço (SpaceX / NASA), para estudar seu comportamento em microgravidade e mecanismos de envelhecimento acelerado. Selecionado entre as 10 histórias científicas do ano pela Discover Magazine (2019). Missões repetidas em 2020, 2021 e 2024.
- 2020 — RETT · DOIS MEDICAMENTOS CANDIDATOSEm organoides, identifica dois medicamentos candidatos que restauram quase completamente a atividade neuronal dos mini-cérebros de Rett. Suas pesquisas contribuem para o desenvolvimento do Daybue, primeiro tratamento aprovado pela FDA para a síndrome de Rett.
- 2022 — PITT-HOPKINS · NATURE COMMUNICATIONSDemonstra em organoides que uma terapia gênica corrige as alterações neuronais da síndrome de Pitt-Hopkins em escala molecular, celular e eletrofisiológica. Publicado no Nature Communications.
- 2024 — NATURE PROTOCOLSPublicação de um protocolo de referência mundial para a criação de organoides corticais com oscilações neurais complexas — agora acessível a todos os laboratórios.
- 2026 — PITT-HOPKINS: ENSAIO CLÍNICO HISTÓRICOA FDA aprova o primeiro ensaio clínico de terapia gênica para a síndrome de Pitt-Hopkins, desenvolvido pela Mahzi Therapeutics a partir das pesquisas do Muotri Lab. Primeiro tratamento desenvolvido em organoides a entrar em ensaio clínico para uma doença rara.
O laboratório
O Muotri Lab está instalado no Sanford Consortium for Regenerative Medicine, em La Jolla, Califórnia — um dos campi de pesquisa biomédica mais reconhecidos do mundo.


Fotos: Muotri Lab / UC San Diego Health Sciences · Utilizadas com permissão
🎬 O Dr. Alysson Muotri e o programa PKS
O trabalho do Dr. Muotri com organoides cerebrais abre perspectivas promissoras para o estudo de doenças raras, incluindo a síndrome de Pallister-Killian.
Prêmios & reconhecimentos
O Dr. Alysson Muotri é um neurocientista internacionalmente reconhecido, homenageado por diversas instituições importantes por seu trabalho em neurociências e células-tronco.
A pesquisa sobre o PKS pode começar.
O laboratório está pronto. O protocolo está definido. Falta apenas o financiamento da fase inicial.